segunda-feira, 21 de julho de 2008

Cariocas, parabéns pelo talento.

O Rio de Janeiro é uma cidade cinematográfica, isso já sabemos. Agora, mais que nunca.
Em meio a tantos fatos, nota-se que para viver aqui é preciso mais que educação, pagar impostos e fazer tudo que um bom cidadão que se preze faz, é preciso ser um ator, e dos bons.
Comparar o Rio de Janeiro com a "dark" Gotham City, dirigida por Christopher Nolan em "O Cavaleiro das Trevas", já está acima de qualquer clichê, mas o que vivemos todos os dias passa longe disso.

Falo de um roteiro que ganha uma nova linha a cada dia, um texto bem carioca. Só nos resta atuar. É difícil dizer quem escreve essa trama, muitos são os co-roteiristas, o que se sabe é que o elenco é o melhor já visto, aliás, o único a interpretar ao vivo.

Impossível se adequar a uma realidade inverossímil. É assim que chamo o que leio todos os dias nos tablóides, é preciso estar bem ensaiado para saber que não se pode mais andar com o cinto de segurança à noite, dificulta uma possível saída brusca do veículo. Deve-se treinar seus filhos para se jogarem no chão ao primeiro comando do papai ou da mamãe. Precisa-se ter consciência de que não se deve andar sem dinheiro na carteira, a qualquer momento podemos nos deparar com uma blitz. Busca-se inspiração na mais refinada arte para se dizer a sua filhinha de 5 anos: "não, filha, o papai dela não a jogou pela janela, ainda não se sabe, não vê como ele está chorando?".
O importante é levantar a cabeça, encher o pulmão de ar e dizer: Cidade Maravilhosa! O dia em que eu me encontrar com o Gil, só por curiosidade, quero perguntá-lo se ainda não mudou a letra da música por simples preguiça. Certamente, ele deve ter um bom motivo, confio no Gil, às vezes, acredito que tudo continua lindo.

Quando chega a segunda-feira e me deparo com o povo nas bancas, radiante, o "framengo" ganhou! O carnaval tá chegando! E no fim do ano tem mais 415 pratas para comprar de peru, bacalhau e panetone baratos. Vejo o quanto somos bons.
Somos o povo, quiçá, mais feliz do mundo, simplesmente porque não sabemos o que é felicidade e sim o que é interpretá-la. Não, não quero colocar um holofote apontado para o céu e clamar pelo Batman, muito menos ter minha cidade comparada a Gotham ou qualquer outra no mundo, a única coisa que desejo é que possamos voltar a viver nossas verdadeiras vidas, desencarnar o personagem que, por muitas vezes, sai do roteiro sem aviso prévio, como muitos amigos e familiares já foram excluídos de suas vidas. Talvez, quando pararmos de fingir quem somos, quando incorporarmos nosso papel de cidadão e cobrarmos pelo que é nosso, quem sabe, consigamos ter apenas uma cidade de cinema e não uma população.
Mauro Soares - 21/07/2008

quinta-feira, 10 de julho de 2008

7 minutos.

Depois de tanto tempo...
Bem, quem escreve sabe que, às vezes, o que se passa para o papel não é seu. Deu para entender? Nem eu entendo. Enfim, uma e meia da manhã, antes de ir para cama, abri a geladeira para me certificar que não havia esquecido de comer nada quando, abruptamente, duas palavras vieram à mente: "Alma" e "casada", coloco entre aspas porque isto não é meu, verdadeiramente acredito nessas coisas.
O resto é só ler, se tiver paciência; em sete minutos minhas mãos "grafitaram" o que vem abaixo, mesmo podendo ser brega e não ter nada a ver com o meu momento, o que posso fazer? Acho que eu nunca escolho o que escrevo.



É à noite.


Em verdade, não me sinto só. O zumbido congelante do refrigerador me faz companhia, os carros lá fora têm direção.
Não sei se me acovardo ou por covardia ainda continue assim, é à noite que falamos com o que há em nós.
Penso que é melhor não pensar, mas quem disse que um pensamento recebe ordens, na realidade é ele quem nos usa; nesse mundo nada é meu, muito menos o que está dentro do eu.
Mesmo solteiro, sinto-me separado. Meu corpo é livre, mas minha alma é casada, porém a vontade dos corpos não comungam do mesmo pão. Não bebem do mesmo vinho nem convivem em um sagrado lar. O sentimento mais puro fez de mim um pecador, peco por não saber fazer da vida o seu verdadeiro propósito.
É à noite que a febre aumenta, que a tosse engasga e que todos se calam, mas também é à noite que as feridas se fecham.
Não sou médico, não entendo bem dos males dos homens, muito menos sei socorrer a mim, nem os enfermos que pelo mundo muita vez deixei. É por isso que busco neste curativo remediar o que não se tem cura. Feliz do cientista que souber curar a minha dor. E quando penso que o que sinto não é ciência, aceito, vivo, pensando sem querer pensar, pedindo para o que sinto nunca mais passar.


Mauro Soares – 09/07/2008 – 01:17 – 01:24

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Uma vírgula na publicidade.

Num blog que fala de textos, não podia faltar espaço para uma campanha memorável, que nós publicitários preferimos falar "do caralho"!, produzida pela agência África, do superpremiado Nizan Guanaes(sem mais apresentações ou babação), para a ABI(Associação Brasileira de Imprensa) que defende a liberdade de expressão e a importância que uma vírgula tem num texto.
Sem dúvida, uma pegada bem interessante, as imagens lembram bastante o famoso filme para a Folha de São Paulo, Hitler, criado em 1987 pelo até então garoto-prodígio da DPZ(nome de agência, para os que não são obrigados a saber tudo de publicidade), Washington Olivetto; construções textuais parecidas, textos diferentes, análogos em imagens, diferentes em essência, simplórios em idéias, geniais em criação.
Bem, desculpe se coloquei alguma vírgula a mais,, ou a menos sei lá, fique com o vídeo e dê a sua opinião:


terça-feira, 22 de abril de 2008

À Mulher

Para Inaugurar o primeiro texto do nosso Textuário, resolvi dedicá-lo àquelas que são mães da humanidade, razão e devaneio, amor e desamor, encanto que até em desencanto é sublime e graciosa.


Derrubaram barreiras, venceram preconceitos e trabalham duro todos os dias. E ainda dizem que são do sexo frágil.

Quando nos sentimos confiantes para caminhar pela primeira vez, é ela quem nos fita, atenta, pronta para nos segurar, assim como a terra firme.
Alguém tão forte, capaz de nos dar o colo mais aconchegante e confortável para descansar, mesmo se já somos adultos, assim como a maciez de um campo gramado.
Quando nos desviamos da rota, é ela quem nos dá um banho de palavras contundentes para nos fazer acordar, como uma chuva de verão.
Se as estradas perdem a cor e nossa luz própria não é mais o suficiente para iluminar o caminho, é ela quem brilha para nos fazer enxergar, assim como a lua.
Se precisamos ouvir a verdade da vida, é ela quem usa palavras que nos levam ao chão, só para aprendermos a nos levantar, assim como as ondas do mar.
Quando as coisas não vão bem, é ela quem se faz forte como deveríamos ser e nos empresta uma força incomensurável, como o vento.
Se por um instante estamos incapazes de ver as coisas da forma mais bonita, é ela quem nos oferece a mais sublime das belezas, como uma paisagem.
Das árvores nascem folhas longas ou curtas, como seus sedosos cabelos, seus corpos nos aquecem tão ardentes quanto o sol, sua força de trabalho é tão intensa como de um pássaro na construção do ninho, sua determinação é mais aguerrida que a fibra de um atleta, sua perfeição é tão grande que sozinha produz alimento para o homem e seu amor é tão intenso que é capaz de gerar frutos tão doces como os da mais nobre videira.
Se Deus não é mulher, deve ser o seu mais profundo admirador, pois a essência deste mundo é todo dedicado a você, mulher, orgulho da sua família e da humanidade, produtora do combustível que faz o mundo girar.

Mauro Soares.